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quarta-feira, 12 de março de 2014

Poema "O Relógio", de Vinícius de Moraes.

O Relógio
Vinicius de Moraes
Passa, tempo, tic-tac Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac Tic-tac, e vai-te embora 
Passa, tempo Bem depressa
Não atrasa Não demora
Que já estou Muito cansado
Já perdi Toda a alegria
De fazer Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia Tic-tac
Tic-tac Dia e noite
Noite e dia

Figuras de Linguagem

Figuras de Linguagem
• O que é figura de linguagem? As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as mensagens.
 • Qual a importância de estudar as figuras de linguagem? Ajuda-nos a compreender melhor os textos literários, publicitários, humorísticos e outros; ensina-nos a compreender a beleza da linguagem que pode ser falada de diversas formas; nos ajuda a expressarmos o que sentimos por meio dos nossos pensamentos.
 • Sentido Denotativo: Sentido mais comum da palavra, por exemplo, o dicionário = sentido próprio. Ex: Meu tio recebeu um transplante de coração.
 • Sentido Conotativo: sentido particular, “especial” que a palavra adquire por causa de um contexto específico em que é usada. = sentido figurado. Ex: Oi coração, tudo bem com você?
Denotativo: Ele colocou a corda na rede. Conotativo: Ele está com a corda toda. Na nossa linguagem comum podem existir frases que tenham o mesmo sentido, por exemplo: Isso é um castelo de areia. Pode ser tanto denotativo, quanto conotativo.
No sentido denotativo, refere-se ao castelo feito de areia na praia; e no sentido conotativo é algo incerto que pode desmoronar.
• Metáfora: Consiste no emprego de uma palavra em sentido que não lhe é próprio, resultante da relação de semelhança entre dois termos. Ex: Minha boca é um túmulo. Ler é uma delícia
 • Comparação: Consiste em atribuir características de um ser a outro, em virtude de uma determinada semelhança. Como / semelhante a / igual a / que nem / tal qual
Exemplos: Júnior é inteligente que nem Stefânio.
 “Para a florista, as flores são como beijos...” Roseana Murray
Pâmela anda igual a Gisele Bundchen. A minha casa é semelhante a um castelo.
 Você joga bem, tal qual joga Neymar.
• Hipérbole é um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva à ideia.
Exemplos: Estou morrendo de fome Já falei mil vezes para fazerem silêncio.
Faz dez séculos que não nos vemos. “Te trago mil rosas roubadas” Cazuza / Exagerado
 • Personificação: Consiste em atribuir características humanas a seres inanimados ou irracionais. Ex: Dava pra ver o tempo ruir... Oceano (Djavan) Música: De repente, Califórnia (Lulu Santos) (...) O vento beija meus cabelos As ondas lambem minhas pernas O sol abraça o meu corpo Meu coração canta feliz.(...) O céu está mostrando sua face mais bela.
• Metonímia: Consiste no emprego de uma palavra por outra, com a qual tem uma relação de interdependência, proximidade. Aqui também existe a comparação, só que desta vez ela é mais objetiva.
 • O nome do autor no lugar do nome da obra; Ele gosta de ler Clarice Lispector.
 • A marca no lugar do produto; Eu visto Kalvin Klein
• A causa no lugar do efeito; A velhice deve ser respeitada. (os idosos)
 • A parte no lugar do todo. Não tinha teto em que se abrigasse. (“Teto” em lugar de “casa”)
 Ele comeu uma caixa de chocolate. (Ele comeu o que estava dentro da caixa)
Pão para quem tem fome. (“Pão” no lugar de “alimento”)
 • Eufemismo: figura por meio da qual se procura suavizar, tornar menos chocantes palavras ou expressões que são normalmente desagradáveis, dolorosas ou constrangedoras. Ex: Ela passou dessa para melhor.

          Catacrese
É o emprego de um termo figurado por falta de um termo próprio para designar determinadas coisas. É uma metáfora desgastada pelo uso excessivo.
          Sentou-se no braço da poltrona para descansar.
          Não me lembro do seu nome, mas ainda vejo as suas eternas maçãs do rosto avermelhadas.
          A asa da xícara quebrou-se.
          Usamos a catacrese em expressões como “orelha de livro” ou “dente de alho”. O termo “engarrafamento”, usado para designar o congestionamento de automóveis, ou o verbo “embarcar”, usado no sentido de entrar no carro, no avião ou no trem, são exemplos de catacrese. 
          Na expressão “casal gay”, curiosa porque “casal”, ao pé da letra, é um par formado por macho e fêmea, apagou-se o sentido de heterossexualidade e  avivou-se o sentido de par unido por laços de afetividade.
METONIMIA
É a substituição do sentido de uma palavra ou expressão por outro sentido, havendo entre eles uma reação lógica.
o instrumento pela pessoa que o utiliza.
          Os microfones corriam atropelando até o entrevistado.
(microfone = repórteres)
          Ele é um bom pincel, o problema é que seus quadros são caros.
(pincel = pintor) 
          Ele é um bom garfo.
(garfo = come de mais)
o abstrato pelo concreto.
          A juventude é corajosa e nem sempre consequente.
(juventude = jovens)
          A infância é saudavelmente desordeira.
(infância = crianças)
O autor pela obra.
          Ouvi Mozart com emoção. (a música de Mozart)
          Leio Graciliano Ramos porque ele fala da realidade brasileira.
         (obra de Graciliano Ramos)
O continente (o que contém) pelo conteúdo (o que está contido).
          Ele comemorou tomando um copo de caipirinha.
(Continente: um copo; Conteúdo: caipirinha contida no copo)
A parte pelo todo.
          " o bonde passa cheio de pernas." (Drummond) (pernas = pessoas)
          São muitas as famílias que procuram um teto para morar. (teto = casa)
O singular pelo plural.
          " Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.“ (Art.3º-Declaração Universal dos Direitos Humanos)
(homem = Humanidade)
          A mulher foi chamada para ir às ruas na luta contra a violência. (mulher = todas as mulheres)
o efeito pela causa
          Com muito suor o operário construiu sua casa.
(suor = casa)
          As indústrias despejam a morte nos rios.
(morte = poluição)
a matéria pelo objeto
          Os bronzes tangiam avisando a hora da missa:
(bronze = sino)
                               Os cristais tiniam na bandeja de prata.
               (cristais = copos)

terça-feira, 11 de março de 2014

A importância da Sintaxe para o usuário (profissionais ou não) da Língua Portuguesa

A importância da Sintaxe

Comumente, as pessoas dispensam o uso correto da Língua Materna, não percebendo que estão prejudicando a si mesmos. Não há nenhuma área da vida profissional que dispense o uso da língua e quando ele é empregado corretamente se torna um quesito a mais no currículo.
Primeiramente, temos que ter a consciência de que a língua constitui-se de um todo quando a usamos para nos comunicar. Alguns desconhecem a importância do estudo da sintaxe, questionando-se o porquê de estudar e conhecer esse assunto e qual a necessidade e importância no uso da mesma no dia a dia e na vida profissional.
Entende-se que a gramática sistematiza os fenômenos que ocorrem na língua e é dividida em três partes: Fonologia, morfologia e Sintaxe. Uma depende da outra, e a sintaxe é responsável pelo arranjo das palavras e construção das frases. É necessário saber distinguir as classes gramaticais, entender a morfologia é um dos pré-requisitos para entender o estudo da sintaxe.
O estudo desse fenômeno ajuda-nos a interpretar melhor os textos, embora não seja tão simples assim entender esse sistema, vale a pena compreender as várias estruturas da nossa língua.
        Percebe-se que a análise sintática auxilia-nos a compreender melhor as possibilidades de estruturação dos enunciados. O conhecimento adquirido com esse estudo permite-nos organizar mais adequadamente a elaboração dos nossos próprios textos e também auxilia-nos a compreender com mais veracidade e clareza o que ouvimos e o que lemos.

Embora o compromisso maior seja aos profissionais que atuam na área de ensino e pesquisa da língua portuguesa, saber sintaxe pode alavancar a carreira profissional de qualquer cidadão, mesmo não atuando na área. Portanto, esse estudo é indispensável tanto ao professor de Língua Portuguesa quanto a qualquer outra pessoa. Muitos desconhecem essa importância e se fixa no comodismo da língua, “estudar sintaxe é um dos pontos fundamentais na formação de quem aspira ser um usuário competente de sua língua”. HENRIQUEZ, 2009. P.17)

Texto de Geane Ribeiro de Sousa Torres, graduanda em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão e Professora de Língua Portuguesa.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Um dica bem simples, que muita gente esquece, ou não sabe!

Análise do conto "Os anões", de Verônica Sttiger. Postando pra vocês minha análise apresentada na Universidade Estadual do Maranhão.

"Os anões"



Ele tinha a altura de um pigmeu, e ela batia na cintura dele. Os dois eram tão pequenos que mal alcançavam o alto da bancada dos doces. Ela dava saltinhos para tentar ver o que a confeitaria tinha de bom. Ele, mais circunspecto, espichava o pescoço, apontava o nariz para cima e aspirava fundo ? como se pudesse, pelo olfato, identificar as guloseimas que o olhar não divisava. Os dois até que faziam um conjunto bonitinho. Não eram deformados, nem tinham aquele aspecto doentio característico de alguns anões. Pareciam tão-somente ter sido projetados em escala reduzida. Poderíamos sentir compaixão ou mesmo simpatia por eles, se não fossem tão evidentes suas graves falhas de caráter.

Não era a primeira vez que os víamos, e ? pior ? não era a primeira vez que os víamos tentando furar a fila. O casal se aproveitava da baixa estatura para, sem-vergonhamente, passar na frente das outras pessoas que esperavam por atendimento. Foi assim, outro dia, na farmácia. Os dois entraram no estabelecimento e foram direto para a boca do balcão, ignorando todos os que aguardavam pacientemente. Só não brigamos com eles porque não foi preciso. O balconista, desatento como sempre, não os percebeu e ? bem feito! ? nos atendeu primeiro.

Contudo, naquele outro dia, na confeitaria, a balconista não só os viu como, solícita como de costume, ofereceu um banquinho para que eles pudessem subir e enxergar os doces por cima da bancada. E não é que os petulantes aceitaram a gentileza dela e ainda tiveram o desplante de ficar indagando de que era feito cada um dos infindáveis docinhos? Nós, que até então aguentávamos quietos o comportamento acintoso daqueles dois, começamos a reclamar. Vai demorar muito?, gritei do final da fila. Nós não temos o dia todo para ficar esperando, meu marido acrescentou. E eles nem pestanejavam. Continuavam em cima do banquinho a perguntar sobre os doces e a pedir provinhas. Não deu um minuto e a senhora que estava na nossa frente berrou também: é pra hoje? Seu Aristides, que levava a neta pequena pela mão e se achava logo depois dos anões, ajuntou: escolham logo, seus imbecis! A mulher de cerca de 30 anos, que estava atrás de nós, arrematou: é, andem logo, seus moloides! Mas o casal, nem-te-ligo. Ele se lambuzava de provinhas de doces, e ela ainda limpava a meleca açucarada que se depositara nos cantos de sua boca minúscula com um guardanapo xadrez todo dobradinho.

A senhora à nossa frente comentou comigo que cruzara com o casalzinho outro dia no supermercado. Eles estavam com mais de 20 produtos nas mãos, e nas mãos mesmo, me disse ela, porque eles não usavam carrinho ou cesto. Acho que eles não alcançam nos carrinhos, e os cestos arrastariam no chão, supôs, pensativa, quase condescendente. Mas, exclamou em seguida, queriam passar pelo caixa para até dez itens! A moça do caixa ficou meio sem jeito de dizer para os dois que eles não podiam estar ali e começou a registrar os produtos, continuou a senhora, mas uma mulher grávida que estava na fila se enfureceu e chamou o gerente. E eles ficaram bem assim, sem falar nada, fez ela apontando para os dois com a cabeça. Eles são bem estranhos, né?

E lá estavam eles, mudos novamente. Seu Aristides, impaciente, elevou a voz: andem logo, seus merdas! É, acrescentou a senhora, vamos logo! E eu emendei: vocês deviam respeitar os mais velhos, pelo menos! Foi aí que a pequeninha se virou e me olhou. A boca minúscula ainda estava suja de doce. Ela piscou, passeou a língua pelos lábios e continuou a me olhar por cima do ombro, como se, até então, não tivesse percebido que estávamos todos ali, esperando. Que foi?, perguntei a ela. Tá olhando o quê?, falei ainda. E ela só piscava, impávida. Qual é a tua?, continuei, indo até ela. É, qual é a tua?, repetiu seu Aristides. Nisso, cheguei bem junto da biscazinha e a puxei com força pelo braço. Sua idiota!, disse. Ela estava em cima do banquinho. Com a minha puxada, desequilibrou-se e caiu no chão, de cabeça. Meu marido, que vinha logo atrás de mim, deu um empurrão no homenzinho, que parecia querer socorrer a esposa. Ele também se desequilibrou e caiu do banquinho. Ao se levantar, fez menção de revidar, e meu marido acertou-lhe um joelhaço no meio do rosto. O narizinho começou a sangrar. Seu Aristides veio correndo e deu outro joelhaço no rosto daquele tipinho, enquanto a neta de seu Aristides chutava-lhe a canela. O sujeitinho caiu no chão de novo, ao lado da mulher. A senhora que estava na fila passou a dar bengaladas nas cabeças e nas costas do casalzinho. Eu chutava, com muita vontade, a barriga da mulherzinha caída. Minha perna doía, mas eu continuava a chutar, sempre no mesmo ponto. A mulher de cerca de 30 anos se ajoelhou ao lado do casalzinho, pegou o homenzinho pelo pescoço e começou a bater com a cabeça dele no chão, várias vezes, até abrir uma fenda na parte de trás. Uma gosma espessa verde-amarronzada saía de dentro de sua cabeça e melava o chão. Nesse meio tempo, a senhora que estava na fila se concentrou apenas na mulherzinha: ela levantava a bengala e a baixava com força em seu rosto ensanguentado. Meu marido pulava em cima das pernas do homenzinho, enquanto seu Aristides chutava seu tronco. E a neta de seu Aristides, imitando meu marido, pulava sobre a barriga da mulherzinha.

Verônica Stigger, no conto “Os anões” aborda de maneira indireta uma questão social. Os personagens protagonistas são apresentados logo no título, que sugere abordar a vida de pessoas de baixa estatura. Anão, segundo o dicionário, é um ser humano adulto menor do que o tamanho normal. Ou seja, a obra trata-se de um casal estranho de anões que usam de sua baixa estatura como beneficio, para furar filas. Logo no inicio do conto é mostrada as características dos personagens com uma dose de exagero comparando-o a um pigmeu, e “ela batia na cintura dele”. Essas características apenas reforça a maneira como são tratados em todo o conto, utilizando-se do diminutivo –inho como por exemplo nas expressões: “conjunto bonitinho”, “homenzinho”, “tipinho” e “casalzinho”. “O casal se aproveitava da baixa estatura para sem-vergonhamente, passar na frente das outras pessoas que esperavam por atendimento”, foi essa atitude que provocou naquele momento o descontentamento das pessoas presentes na confeitaria, lugar onde acontece a ação. Esse ato “sem vergonha”, desperta nos demais uma descompaixão. Ao invés dos personagens secundários sentirem vontade de ajuda-los, acabam desaprovando essa atitude insana. Observa-se que o autor utiliza-se do espaço urbano, onde toda a ação acontece em uma confeitaria, com o narrador homodiegético, em 1˚ pessoa, que está dentro da história e constrói o seu relato, segundo o seu ponto de vista. O tempo é marcado pela ação cronológica. Os personagens são anônimos, exceto Aristides, o único que recebe um nome e o seu significado consiste em: brilhante por sua astúcia. Entende-se que o personagem foi astuto em sua atitude, pois o mesmo provoca “xingamentos” e ações reprovadas diante na sua neta, a quem elw deveria transmitir um bom exemplo. Temos também a dona Silvia, que tem um nome, talvez em função de ser a dona da confeitaria. A ação na confeitaria, do “casal nem-te-ligo”, expressão usada pelo narrador, para enfatizar que os anões não estavam nem um pouco preocupados com a espera dos outros e desperta um repúdio nos personagens, é então onde começa todo o conflito, os petulantes abusam da paciência daqueles que estão na fila, “[...] indagando de que era feito cada um dos infindáveis docinhos”. Cansados de verem a atitude deplorável do casalzinho, há um extravassamento de revolta contra eles, esse ato gera uma ação pouco comum na contemporaneidade, pois muitos reclamam dos furões de fila, mas pouco se faz contra eles. “Os anões” anônimos são repudiados, na obra, por uma atitude corriqueira, a autora denuncia esse ato e mostra que ninguém age da mesma forma, na vida real, como acontece no conto. Pode-se observar que a ação dos personagens contra os anões é natural, como narra o autor, onde a única preocupação da atendente é com a chegada da patroa, e não com as consequências do ato de vandalismo. “Gente, disse ela, dá para parar com isso que a dona Silvia vem chegando, estou vendo ela dobrar a esquina.” É nesse momento onde ocorre todo o clímax do conto, os atos de violência contra o casal indefesos, se eles foram repudiados em furar à fila, quem repudiaria os vândalos que acabaram com a pequena vida do casalzinho? Nada foi feito para impedir esta ação, o desfecho dessa história termina com o fim trágico dos personagens esmagados por um velho e sua neta, um casal e uma senhora “Uma gosma espessa verde-amarrozada saía de dentro de sua cabeça e melava o chão” nota-se aqui que o narrador preocupa-se somente com a sujeira causada pelos restos do anão. Consequentemente pode-se refletir que os fatos ocorreram com muita naturalidade dentro de um lugar que transborda doçura, como pode acontecer uma ação violenta em um lugar tão doce? A confeitaria foi o ambiente escolhido para subverter a situação, já que as pessoas vão à confeitaria em busca de saciar seu desejo de comer coisas suculentas e não em busca de violência, mas como se pode notar o que aconteceu aqui foi a descrição de um ato fora do comum para demonstrar que a sociedade se cala diante de atitudes como essa e outras mais. Portanto é natural a violência que ocorre em nossa sociedade contemporânea, contextualizando com a obra, existem fatos corriqueiros acometidos pelas pessoas petulantes que ora encontramos. Nada se faz, finge que não ver, que não é conosco. O narrador sugere, neste conto, uma reflexão diante da sociedade que cada vez mais se cala à frente de situações como esta, “os anões” poderiam ser visto com compaixão por serem diferentes, mas causaram um repúdio nas pessoas. Diante desse estranhamento do conto, é possível relacionar com o que muitas pessoas vivem ou já viveram, para o leitor pode ser que ele veja um ato violento, mas é tratado com naturalidade pelo narrador e pelos personagens, despertando assim os demais a tomar uma posição em relação aos tipinhos que querem tomar a nossa frente, calar a nossa voz, não incentivando à violência, mas esmagando o medo que temos em exigir os nossos direitos.

Resenha sobre a obra "Os setes saberes necessários à educação do futuro", de Edgar Morin.

RESENHA CRÍTICA MORIN, Edgar. Os setes saberes necessários à educação do futuro. 11. Ed. São Paulo: Cortez, 2013. CREDENCIAIS DO AUTOR Edgar Morin nasceu em Paris, na França, em 21 de Junho de 1921. É um judeu de origem serfadita e ateu confesso. Também foi antropólogo, sociólogo e filosofo francês, pesquisador emérito do CNRS(Centre National de la Recherche Scientifique), formado em Direito, História e Geografia. É considerado um dos maiores pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos da complexidade. A principal obra desse autor é constituída por seis volumes (O Método), foi escrita em três décadas e meia e trata-se de uma das maiores obras de epistemologia disponível. RESUMO DA OBRA A obra Os setes saberes necessários à educação do futuro, nasceu com o objetivo de aprofundar a visão transdisciplinar da educação, solicitado pelo UNESCO, o autor expos suas ideias sobre a educação do amanhã. É uma obra que aborda problemas sociais complexos diante da necessidade de uma boa prática educacional. A obra é dividida em VII capítulos incluindo a apresentação da edição brasileira e o prólogo. O primeiro capítulo trata das cegueiras do conhecimento, que são: o erro e a ilusão, considerados segundo o autor o primeiro buraco negro que diz respeito ao conhecimento. Existem os erros mentais armazenados no cérebro, onde constitui um funcionamento interno em que se fermentam as necessidades, sonhos, desejos entre outros. Cada mente é dotada também de um potencial de mentira para si próprio, é então onde fortalece os erros e ilusões. O segundo capítulo aborda os princípios do conhecimento pertinente, considerado o segundo buraco negro, pois não é ensinado relacionar o aprendizado com o seu objetivo, há uma necessidade de fazer uma contextualização dos conhecimentos históricos e geográficos, por exemplo. O terceiro capitulo lança um olhar a condição humana, somos indivíduos de uma sociedade e fazemos parte de uma espécie ao mesmo tempo que somos uma espécie fazendo parte de uma sociedade, o autor aborda que devemos reconhecer nosso duplo enraizamento no cosmos físico e na esfera viva. O quarto capitulo ensina que é preciso existir a compreensão humana em todas as áreas da vida, é necessários compreender nosso vizinhos, amigos e familiares. O egocentrismo toma conta da sociedade atual que favorece um sentido de vida individualista, alimentando a autojustificação e rejeição ao próximo. O quinto capítulo sugere o enfrentar as incertezas, diante de vários acontecimentos históricos e científicos, as consequências desses acontecimentos levaram gerações a incerteza. O homem é confrontado de todos os lados, é levado em nova aventura. O autor descreve que é preciso saber interpretar a realidade antes de reconhecer onde está o realismo. O sexto capítulo ensina a compreensão, pois o avanço da incompreensão é ainda maior diante da compreensão. O egocentrismo, etnocentrismo e o sociocentrismo tomam conta do ser humano. Se faz necessário decidir compreender que é também aprender e reaprender incessantemente. O sétimo capítulo trata da ética do gênero humano, segundo o autor o gênero humano comporta a tríade individuo/sociedade/espécie. Os indivíduos são mais do que produtos do processo reprodutor da espécie humana, mas o mesmo o processo é produzido por indivíduos a cada geração. CONCLUSÕES DA RESENHISTA De um modo geral o autor apresenta diversas teorias para explicar os buracos existentes na educação. A visão diversificada desse olhar transmite ao leitor um conhecimento profundo sobre o assunto e aborda de maneira clara e coesiva. Morin alerta-nos dos perigos de levar a diante erros e ilusões da mente, e também sobre as inadequações que desuni os saberes, e os problemas multidisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais e planetários. Aborda também sobre o conhecimento isolado, tornando-se na vida do educando algo inútil e insuficiente. CRITICA DA RESENHISTA A obra estabelece grande subvenção para o ensino da educação deste século e outros futuro. O uso substancial de valores e informações que auxiliam na compreensão dos acontecimentos presente é de suma relevância para compreendermos o caos da educação, pois os sólidos acontecimentos históricos nos faz reconhecer as varias linhas filosóficas defendida nesta obra. A leitura dessa obra necessita de varias áreas de conhecimentos como: conhecimento filosófico, teórico, antropológico entre outros. O autor esclarece as razões problemáticas da educação e da sociedade em geral, consolidando um olhar reflexivo em questões que ainda podem ser mudadas em um futuro próximo. INDICAÇÕES DA RESENHISTA A obra tem por objetivo discutir alternativas e oferecer sugestões para uma educação de qualidade e a formação dos estudantes contemporâneos, a fim de lançar um olhar crítico diante da educação e os seus saberes. Não se trata de um simples manual, com passos a serem seguidos, mas um livro que apresenta os fundamentos necessários à compreensão para uma melhoria na formação ser. É relevante que todos que atuam na área da educação obtivesse a leitura desta obra, como também estudantes universitários e pesquisadores. A fim de que possam realizar, planejar e desenvolver suas próprias pesquisas, na graduação e pós-graduação, utilizando-se do rigor necessário à produção de conhecimentos confiáveis, pois contribuem para o desenvolvimento da atitude crítica necessária ao progresso do conhecimento. Geane Ribeiro de Sousa Torres, graduanda em Letras na Universidade Estadual do Maranhão, Professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental maior.

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